terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Vida sem vida.
Gostaria- eu- de fazer alguns ajustes nessa vida toda que me é apresentada. Sem desvios de vírgulas ou ponto final demais em linhas quebradas. Gostaria de apresentar-me entre as fileiras de pequenos gemidos e mal agouros que caem em minhas mãos como pequenos pedaços de sólidos grãos de chuva. Apresentada-me-é essa vida mordida por monstros incapazes de transformarem-me em algo que seja capaz de viver como eles. Porém, ingrata vida, nenhum lobisomem, bruxa ou algo de aparência torpe me é concretizada aqui. E nessa vida, mesmo mordida por vampiros de almas, continuo exalando lágrimas de sangue aos montes. Ora, que verdade mal fundada. Me tiram o sangue e me restam ainda mais para serem chorados. E nessa vida, já que eu apresento a minha existência mal criada, gostaria também de mostrar-lhes ( a mim mesmo) o quanto verdades podem ser criadas. Nesse auto engano, vivo de masoquismos sem tréguas quando permito-te - vida- esvaziar-me de sentidos inapropriados entre as mãos do destino versus tempo. Ora, que grande ousadia. Esse masoquismo que me agora é apresentado como algo realmente fiel de meu inconsciente está corroendo minhas mãos para que eu escreva linhas sem sentidos e consiga criar uma maneira de escrever a minha própria vida. Apresentar-me ao fiel escudeiro armado que junta-me de frente ao espelho com meus cruéis sonhos sem sentido. Sem sentido, assim como palavras minhas que são escritas juntando minha vida numa morte sem sentido. Novamente, o sentido fazendo parte de um eu sem charme, sem vida, sem sorrisos e sem virtudes. Ora, a quantas horas terei que despir-me para encontrar meu verdadeiro corpo escondido e escurecido entre meus olhos carnais. Por isso, gostaria, eu, de mostrar-lhe verdadeiramente, vida, como é que as coisas mudam e voltam ao seu caminho normal. Pergunte-me tempo, se gostaria de voltar aos caminhos por onde andei e construir novos fantasmas para que eu sangre novamente em todo os cômodos gelados de minha pele carnal. Quanto carnal, meu jovem sábio, quantas letras embaralhadas me seguem na mente, ao som, do batucar de um relógio que mostra essa hora toda errada, ao som do murmurinho do vento que circula no ventilador, exilando ares quentes em conforme com meus olhos que latejam de tanta emoção. Por isso, vida minha, gostaria de dizer-lhes que estou aqui, prontinha para encarar-te, assim como aquela vida que esteve frente a frente a minha encarou e a perdeu. Assim, assim mesmo. Como os momentos que o morderam e o fizeram exilar sangue. O mesmo sangue vermelho que eu tenho, que tu tens e que o tempo mede toda vez que bate e rebate em seu térreo pomar. Estas flores morrem, assim com pancadas e esmagamentos desconcertantes. Assim, vida, como uma vida que esteve prestes a viver e que deu-lhe nenhuma chance entregando-lhe para os vampiros do tempo que consomem seu sangue. Que coisa feia, vida, apavorando os meus sentidos, criando incrédulos fantasmas que assombram agora a minha cabeça. Não, não gostaria de escrever sobre essas linhas para que fique escrito tudo aquilo que passou. Não! Gostaria de mostrar essa vida que me é apresentada pra ti própria, para que assim consigas ver o quão errado está fazendo junto com o tempo infiel. Agarrado ao travesseiro vivo, sangue escorre por entre os meus dedos e meus olhos viajam nas altitudes inertes que aquele frio descompensado trouxe. Ora, quantas horas terei que viver para esquecer-te vida? Esquecer-te, que foi embora diante de meus olhos, junto com todo o sangue retirado pelo vampiro daquele homem jogado ao chão. A vida que foi embora diante da vida que aqui escreve todas essas palavras tortas misturadas com o tic tac do tempo que passa junto com os segundos do relógio que me vem na imaginação. Adeus imaginação, não quero mais apresentar-me a nenhum sinal de covardia. Minhas pernas trêmulas não querem lembrar de vidas que se vão em meio a um tudo que agora vale nada.
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