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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Paraíso.

Sentei. Eu comigo mesma - viajando dentro do que posso chamar de meu interior- encontrei paisagens que não podia se quer antes ser notada, já que só consigo as ver na escuridão. Recostei meu corpo na parede. Viajei. Senti então a doce amargura das lágrimas que desciam de meus olhos, rolavam minha face e tocavam o chão molhado. A chuva intensa, me tirava da concentração, e a cada momento pressentia um total mundo de ilusão. Caí ao chão. Desmoronando meu corpo, senti a frieza e a dureza do asfalto e da chuva caindo em minha pele, arrepiando minhas emoções e pulsando meu sangue. O pavor tomou conta de mim, o medo da solidão. Me permiti fechar os olhos, alcançei o céu , talvez o inferno. Ouvi os gemidos da dor e o ranger dos ventos, como a madeira no inverno congelando, ou o tronco das árvores implorando por calor. O asfalto engolia minhas mãos na sujeira e na lama do anonimato. Grandes sonhos, grandes pesadelos. Cruéis fatos. No véu da escuridão, lançei meu corpo contra o vento - deitada, inerte aos meus princípios e aos pensamentos que rondavam-me a vista - mesmo cansada permitindo meu pensamento voar. Havia um cigarro no meu caminho, apagado pelas gotículas de chuva, contudo, existia uma lasca acesa, assim como minh'alma. Abri os olhos, olhei o cigarro em meu caminho, só ele e eu, na deserta rua asfaltada suja de lama e sangue. Minhas mãos trêmulas encontram a ponta de uma droga, e meus lábios cerrados pelo frio contornavam as paredes de algo que nunca havia esperimentado. Deitava. Olhando ao nada, apareceu alguém. Era magro, alto, e sujo diante da escuridão que se formava aos meus olhos. Não reparei, esperei. Ele estava lá, diante de meu corpo, oferecendo a mim outro como aquele. Fumei. Viajei dentro de mim novamente, achei locais imagináveis, contos incontáveis, pessoas e fadas. Doendes. Tentou beijar meus lábios trêmulos, não deixei. Segurou meus braços e chorei novamente. Larguei o cigarro, me senti sozinha - pálida, com frio e ameaçada- senti o formato de sua calça abaixando, e logo após faróis vindo em nossa direção. Ele fugiu, eu caí. Sentei novamente, como criança inconsolável. Caí. Senti meu corpo sendo puxado, na chuva, com desespero. Abri os olhos. Eu estava no céu, e havia um anjo. Seus olhos me acordaram do sono interior, seus lábios procuraram minha pele. Senti um arrepio, talvez do frio. Estava sem força, sendo colocada em um carro, com uma mulher estranha, me levando ao paraíso.

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