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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Noite.



Caminhei em direção ao mar esta noite. Em uma de minhas mãos, segurei o teu retrato. Em meus dedos trêmulos, um cigarro mal fumado. Olhei para a lua. Aonde se meteu a minha respiração? Minha alma vaga esta noite? Estava com frio; Estou com frio. - Aonde estão as estrelas rodeadas pelo teu sorriso, minha lua? Continuei a caminhar pelos tão finos grãos de areia. E meus olhos, estão embaçados tanto quanto a imagem que vejo de você. Mas queria gritar. Posso? Gritar com silêncios ou gritar com minhas mãos. Ajoelhei para você, minha lua. Deixe-me chorar. Estou confundindo passado com presente e futuro e enrolando os verbos dentro de meus gritos mal humorados. Estou carregando o peso da infelicidade que doei. Perdoe-me vida, eu nunca fui capaz de ser perfeita a ponto de entregar-me para a vivência completamente, e hoje, dou-lhe a minha morte. Mas e você, lua? Consegues refletir-se no mar assim como meus olhos refletem você para mim? Continuarei a caminhar, minha lua. Andarei em direção ao mar para lhe alcançar. Minha boca seca, toma em meio à respiração o cigarro molhado de lágrimas. Não interessa mais o que respiro agora. O teu reflexo pode me afogar esta noite? Sentei na areia, tua foto deixei ao meu lado, chorei sangue misturado a amargas fontes da própria amargura que eu não sabia qual gosto tinha. Minhas mãos encorajam-se com as pequenas facas que cortam a minha carne diante da areia. Facas nomeadas medo. Medo nomeando feridas. As águas despiram-me á luz do teu luar e as ondas emaranhadas de sal misturou-se com minhas lágrimas amargas de amargura. Lua, diga-me se continuará refletida nas águas em meu peito, para que me afogue em tua ousadia. O retrato, o vento levou. O cigarro, queimou-se dentre as águas. O corpo, levou-se para o nada. O céu, espalmou tuas negras vestes neste verão frio. E tuas estrelas rodeadas de sorriros, transformaram-se em apagadas luzes de sofrimento. Eu, deixo-me aqui, lua, para que leve-me contigo pela tua cratera misteriosa. Pela tua magia que encanta-me e mata-me a cada amanhecer. Não mais caminhei.Levaram-me a estrutura da parte do que eu sou e do que fui. Do que serei não sei (...) Diga-me lua, ainda estarei aqui? Vou respirar ...

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