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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Salve-me, vozes.

Deixe-me caminhar. Caminhar num caminho estável. Deixe-me no chão. Ou mesmo (...) Espere! Podes dá-me o chão? Não encontro facetas nenhuma se quer, nem encontro desvios de torturas cradas em meus pés. Não há ao menos pés. Posso, então, abri-me os olhos e vê-me voando? Talvez passando, transportando meu corpo para fora, apenas fora do que seria "mim". Não há dentro. Acredito no meio, apenas. E agora? Quem são? Eu os ouço. Na vida, no meio, na morte que não vivi. Eu os vejo com os outros olhos que não há em mim. Eu os grito com as vozes que não fazem parte desse pedaço de meu corpo. Em linhas retas, longiquas, as vezes tortuosas, fixo meus pés. Há poesia numa linha morta de palavras que logo juntas formam meus gritos? Talvez a vida nada poética vá embora dentre meus dedos e a morte tão viril torna-se a manhã escurecida dita em um pedaço de papel. Nada de pés para as linhas imaginárias, nada de gritos para a caneta ilusionada. Nessa folha preta o medo já se foi. Preto ou branco num papel de vozes viram o que diante de meus olhos os fantasmas me mostram. E os sonhos irreais escritos a mão traduzem as lágrimas de pavor que imploram a cada letra algum tipo de salvação.

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