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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Anjo Negro.

Segure as minhas mãos com as tuas asas. Olhe-me no fundo de minha alma. Digo e respiro dentre teus lábios, palavras ocultas e o silêncio dos gemidos que te invadem criam o grito de socorro que de mim saem. Nas tuas asas encontro um manto. Que me guarda e me guia e me encanta. E meus pés caminham pelo vento, navegando no suspiro do teu beijo que me causa tanto espanto. É impossível voar alto sem tuas asas tão grandes, cortando o céu negro diante da nuvem navegante. Tuas asas tão negras que desaparecem entre a falta de luz e brilha tanto na lua. Tuas mãos inexistentes corroboram minhas vestes e no céu me vejo nua implorando para não cair. Me sinto mulher, amante, covarde. Me sinto medrosa nesse amor pela metade. E esse anjo no espelho eu percebi, nu como os fantasmas de meus sonhos quais dormi. E nos gritos reverberantes que levaram-me a voar, mostram-se em verdadeiros rostos desses fantasmas dos quais nunca soube lutar. E o beijo encantado se quebrou, mostrando-me o medo de corpo nu beijando meus lábios que se fechou. Rezei ao cair da noite para o anjo negro salvar-me e descobri ser  o fantasma do medo qual comeu minha carne. Nessas palavras tortas minhas lágrimas são manchadas, de caneta azul, preta e sangue dos meus olhos, de minha pele e de minha carne.

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