sexta-feira, 26 de julho de 2013
Fuga de realidade?
O que eu penso quando me chamarem de diferente? Num mundo criado de dúvidas, enxergo-me dentro de um eu que não pode, se quer, ser eu mesma. Diferentes propósitos entrelaçados a desejos não aceitos e que perduram entre os pequenos buracos de vida chamado pecado. Desejos mal criados, mal pensados, mal desejados em si mesmo que traem a maneira de ser normal nessa parte de terra conceituada no dever. Dever do certo ... nada de preceitos errados. Certo e errado misturados em angústia de permanecer entre os que querem te fazer ser o que você não é. Mas, agora, confundem-te com ameaças de pequenos infernos aleatórios somados ao céu distante do termo escrito em letras e vividas de maneira errada. O certo igualado ao céu. O doce sabor de viver em paz diante da polposa cerca de viagens ensolaradas. O errado em conjunto com o inferno dito em linhas tortas de destinos errados que configuram-se à margem dos outros. Que outros? Senhor ... ajude-me nessa hora em que eu quero me ser e não posso. Sem respirar, sem re(expirar) novamente o ar que deste ao mundo de forma tão (...) tão covarde que me deixa tonta diante de tanta sujeira e hipocrisia. Ventos molestados encurralando olhos inchados de tanto pavor. Metade medo de mim. Metade medo do mundo. Metade medo de Deus. Medo de Deus? Deus que o homem fez. Deus certo/errado que confunde o que Deus sempre foi para mim. Ora, nem sei mais o que estou falando. Que desafio tornou-se sorrir e chorar de formas reais. Nada de realidade pois nem sei mais diferenciar ser e não ser ... Viver tentando ser o que querem que seja minha vida disfarça a verdade do que eu queria realmente ser. Posso? As vezes acho que não. Privação da vida - maneira essa que tenta conseguir o bem e o mal? Ou fugir de maneira ilusória do que eu poderia ser e na verdade não posso? Fugir de um pouco que na verdade torna-se tudo e vira e remexe dentro do que eu vivi. Uma maneira complexa de imaginar-me dentre névoas de certeza de que eu posso ser assim. Mas, e agora, se eu me ser todos os que não são tornariam essa minha existência um completo mar de tristezas por ser o que não são. E a privação de uma vida livre de preceitos infundamentados num conceito i-quase-real? Dúvidas que requerem a simples noção de poder ser o que querem e não poder ser o que se é, traduzidas em algoz de choro e devaneios empobrecidos de alma. Alma que não tem mais direito de sentir. Nada mais de direitos de seguir. Desejos de sorrir. Vontade de viver.
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