quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Faça o título (:
Estalava a gota da pequena chuva caída sobre o asfalto liso. A noite parecia incompleta e o céu negro da cor do fundo dos meus olhos. No cigarro entre os dois dedos pequenos compadecia e acabava em cada segundo em que o relógio rodasse, como o tempo entre as nuvens que batiam em encontro uma a outra. Sozinha. Não havia ninguém andando sobre as ruas, apenas o vento que balançara as folhas e sepultavam no chão as ousadias de um luar morto, infame. Levara a boca o pequeno pedaço restante do cigarro aceso, que já não fixara em meus lábios. Caíste. Meus olhos seguiram a última fagulha, desaparecendo dentre áquelas gotas. A solidão - pensei - estava diante de mim, como o cigarro morto no asfalto. A lua parecia molhada, embaçada, ou talvez seriam meus olhos, encharcados de dor. Minhas mãos, acariciavam a janela e a fresta encobria meus suspiros. Como o cigarro, acabou. A fagulhas da droga de uma vida de que o vento levou. Pedinte! Pedinte de socorro, de uma ilusão, de percepções e desaforos. Joguei os meus suspiros ao relento, e o vento misturou-o com gemidos e susurros vindos cada vez mais intensos. Percorriam pelo ar, batiam em todas as janelas que talvez rodeassem aquele lugar; Que lugar. Já não sabia onde estava. Já não sabia quem eu era. Um grito - estremeci - diante de mim estava o medo, tão intenso e pavoroso. Tão sórdido e excitante, tão cruel e eloquente. Tão ... tão cigarro. Tão droga. Tanto quão minha droga de vida. Aquele grito - pensei - vindo detrás das árvores nuas e tranquilas. Das árvores sem cores, porém, vivas. O grito, a mescla do socorro, do pavor. Do meu socorro, do meu pavor. Minhas sobrançelhas erguiçaram, meus olhos pularam, logo depois, fexaram. Meus dedos interrompiam os sonhos. As pequenas unhas emaranhadas de sangue,alisavam a fresta. A janela, aberta. O vidro, encoberto. Vidro, espelho. Inimigo cruel. Melhor amigo fiel. Um estalo - chorei - assustada com minhas mãos cobertas de sangue, de vidros, do único amigo que havia me restado. Agora quebrado, seguro entre meus dedos, apertados nas palmas de minha mão. Amigo. Amigo, como meu cigarro. Aceso, acabado. No chão. Meu sangue gritava. Vermelho como meus olhos. Vermelho como as lágrimas. Vermelho como as fagulhas do cigarro. O cigarro. Levado pelo vento. Meu sangue, misturado ás lágrimas, á chuva, as gotas de meu suor. Nas mãos, os cacos ... Os cacos da minha alma. De dentro, assustada, olhou-me nos olhos. Na cama, outra pessoa. Lá fora, eu. Como o cigarro. Como o sangue. Como as folhas sepultadas. Como a árvore nua. Como o céu negro. Como meu amigo e inimigo. Como meus cacos. Como minhas lágrimas. Como minha vida. Olhou-me. Suspirei. Chegou lentamente, penetrou seus olhos nos meus. Por um momento, lembrei dos beijos, das carícias, dos sorrisos. Agora, só o cigarro e a fagulha. Não. Nem cigarro nem fagulha. Nem nada. Eu te amo - disse. Olhei-a. Voltei os olhos doloridos. A cama? - Apontei. Desculpe- ela disse. Eu sorri, lentamente. Te amo - retornei a dizer. Olhei em seus olhos, penetrei como nunca houvera antes. Esqueci de dizer uma coisa - disse a ela. Ela retornou o olhar. Seu amor, acordando. Eu ... ? Um coisa-tornei a dizer. O que há com você? Suas mãos, seus olhos, sua boca - Me encarou com um rosto incomum, só eu conheçia. Não. O que era de mim sim, conheçia. Você é meu início, meio, fim. Meu sorriso, lágrimas e dor. Minha verdade, minha mentira. Meu cigarro.Minha droga. Minha lua. Minha estrela. Meu espelho. Minha janela. Meus olhos, minha boca. Você é - suspirei - Você sempre vai ser a dona da minha alma. E eu? Vim a este mundo para amá-la. E hoje não sei quem sou. Porém, perdão - Gemi, trêmula. Sou covarde. Não sei viver sem você. Amanhã, sorria. Hoje, não mais existirei. Para sempre, vou amar você. Daqui a séculos. Pois você é a minha alma gêmea. Sem você, não há voz. Não há dúvidas nem certezas. Não há caminho, futuro. Não há - sorri. Colei meus lábios. Limpe suas lágrimas e seu rosto aparecia no vermelho de meu sangue. Sua face encobria meus pavores. Desabei - Adeus - disse. Te espero, um dia- suspirei. Fexei os olhos. O cigarro, nada. Meu fiel amigo servira pela última vez como o aliado infame em minha vida. Agora, sem voz. Meu amigo ... inimigo , meus cacos, sepultaram minha carne com as folhas das árvores nuas de outono sepultadas pelo chão. Ao longe, um grito de desespero. Eu te amo, meu amor - Ouvi sua voz. Era tarde demais.
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Você terminouuu? DDDDDDDDD: Não creio. O amor de vocês é o amor mais lindo que já vi x_x
ResponderExcluirNão, não terminei. Escrevi isso mas não tem nada a ver comigo e com ela >< Own, obrigada. Eu cuido desse amor com minha vida, se estivéssemos terminado nem sei o que faria çç
ResponderExcluirAiiiiiiiiiiiiiiin, ainda bem, já tava triste UASHUAHSUASH. Afs, seus textos para ela são mais que a perfeição u-u Se vocês tivesem terminadoeu ia ai fazer vocês voltarem u-u rs Parabens nenis *-*
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