segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Naquela noite.
Eram duas amantes incontroláveis pelo desejo que transbordava o quarto. Nos minutos atrás as brigas ásperas contornando o amor e o silêncio arrancado em súbitos gritos por olhares desesperados. No presente a luz do dia amanhecendo cortava as frestas da janela com a escuridão das paredes negras do quarto. Uma das mãos encontrava a outra pedindo pelo desejo de se juntar ao par daquela que estava ao seu lado. Os corpos gritavam mas ninguém os ouvia. As horas passavam e o ponteiro do relógio ecoava entre as paredes fazendo com que percebessem que ia acabar ... para sempre, ou para um quase sempre. Talvez a força do universo tenha unido aqueles corpos ou talvez o desejo inacabado tenha sido mais forte do que a tristeza que rondava aqueles olhos. Naqueles olhos brilhavam amor, paixão, medo e indecisão. Naqueles olhos brilhavam desejos tão ocultos que nenhuma das duas podia se quer, perceber. Porém, acredito na força do pensamento e que o universo conspire. As mãos acariciavam o rosto da outra como da primeira vez e os corpos impulsionados se encontravam e se permitiam encontrar um ao outro. A respiração tão lenta encostava na outra durante o passar dos minutos e os lábios tão trémulos encontravam o espaço por onde a respiração vinha mais ofegante ... desesperada. E o adeus se transformou em até logo no momento em que os lábios se entrelaçavam e as lágrimas se cruzavam entre dor, amor, medo, indecisão... novamente. Os corpos gritavam e se transformavam em um. O beijo se transformava como nos de antes em que não havia drogas, cigarros, solidão, medo, pavor. O cheiro suave do perfume, o gosto doce da boca, o toque trémulo das mãos, o suor dos corpos, a magnitude das almas, o acalentar dos braços. Aquela noite o amor estava entre as duas ... Naquela noite tudo estava errado, tudo estava certo, tudo estava como sempre deveria estar.
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