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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ambiguidade.

Se eu pudesse definir-me nesta manhã arrebatadora, diria a qualquer pessoa que sou feita de uma ambiguidade tão intensa que não sei se sou lágrimas ou sorriso. Numa antítese de exageros mornamente quebradiços, nada é senão a mim própria um pedaço do vento.Nada de melancolia nesta manhã de sol. Ora, que estranho. Eu, tão esquisita amante da noite, falando de uma manhã de sol que queima meus olhos secando as lágrimas. Mas se virei vento, o que faço quando bater de cabeça no cume da montanha cerrada? Não sei. Não sei de nada como não sei de tudo. Tão exagerada de melancolias que se desdobram em sorrisos tortuosos e eloquentes. Diga-me sol, onde escondestes a minha lua? Pode dizer ... Agora sou vento, nada mais que isso. Preciso, mesmo, pedir uns conselhos para o vento que batia e cerrava meu rosto. Vento entra de acordo com o sol? Ah não ... nada mais de vento. Prefiro ser mar. Mas não se irrite, sol. Não gosto nada, nada do mar. Ele leva ... não traz, nunca trouxe. E olha lá, não gosto da perda. Na verdade, ninguém gosta da perda. Então sol, não fique enciumado com a minha vontade de ser mar. Não pretendo levar ninguém.Nem ser mar nem ser mal de mar. Nem comparativa e nem minimizada entre as tuas doces e fortes piscadas daí de cima. E nada disso, senhor sol. Estou pensando em voltar para minha lua. Tudo bem, ela abandonou-me pela solidão. Diga-me, então (...) Se és apaixonado por ela, porque nunca lutou? Podias virar vento, o que é que tem? Podia ser mar. Se não gosta do fria, fosses quente. Algum problema? Podia ter lutado por ela, mas, agora, ela é minha. Não só minha. É da solidão. Não se irrite com todos os meus pontos finais e minha vírgulas que me deixam respirar. Eu estou tentando não ser mais vento e não tocar mais a montanha e queria a sua ajuda. Não quero chegar perto de você, desculpe. Não gosto de quente (...) Não se sinta só, se quiser, empresto a minha solidão que está lá com a lua. Desculpe pelo preconceito. Meus conceitos sobre você estão antes de todos os conceitos que eu nem conheço ainda. Mas da lua? Sei que não sei de nada, nem do seu amor por ela. Não deveria tê-la deixado, sabes disso. E se, você for um Deus que queima meu rosto a cada dia em pé, peço-lhe que me deixe viver só a noite. Pode ser sem estrelas. Quer ficar com elas? Não as gosto muito. Todos gostam-na. Tudo bem, todos gostam da lua ... Mas eu gosto-na tanto que nem sei explicar. Mas sou a ambiguidade em pessoa. Bom, se é que posso ser chamada de pessoa. Na verdade, nem sei mais o que é pessoa. Tem tanta pessoa aí que não é pessoa. Fico triste, Sol. Posso chamá-lo assim? Que coisa. Se eu colocar o mesmo artigo que uso antes do meu nome, no seu, ainda gostaria da Lua? Seria A Sol apaixonada pela Lua. Gostaria mesmo assim? Aí mesmo que não teria coragem de lutar por ela. Sabe, não gosto muito de você. A culpa é toda sua? Sei que não. Mas gosto da lua mesmo assim. Vou dormir para chegar a noite. Amanhã encontro com você novamente.

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