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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Poderia ser eu, eu? [2]

E neste dia - claro e ensolarado - lágrimas vestem minha carne. O que seria eu sem estas linhas imundas e pesadas? O que seria eu - inerte - senão as palavras de angústia soltas e vomitadas nestas escritas desesperadas? Sou alguém que sonha o impossível e perde-se na realidade. Sou alguém qual chora a dor da tristeza pertencente ao existente. E, estas palavras imundas lavam-me a alma. Estas linhas escuras acarretam-me o impossível. Fecho os olhos agora. Transbordo em mim a inércia da dor. Aqui reescrevo-me em caneta e papel, quebrada e rasgado - estas palavras manchadas de sangue e lágrimas trazem-me aqui. Repito: Não sou o que querem que eu seja. Por isto mostro-me aqui. Nua. Sem voz. Sem força. Mostro-me aqui vulnerável e quente. Quente demais. E, em mim, permanece a pobreza de forças. Permanece a dor dos meus atos. Permanece o inferno de ser diferente de vocês. Mantenho-me aqui enjaulada em mim.Se eu for liberta irão julgar-me e ferir-me e matar-me . Meus pedaços serão expostos e de meu sangue seco transbordará amor. Porque eu amo ... diferente de você que odeia e me mantém preso em mim. Há quem diga que estas palavras duras configuram-se em opiniões livres (...) Opiniões merecedoras de aceitação e respeito (...)  E eu, permaneço-me presa a mim? Ou - quem sabe - sou julgada pertencente a um egoísmo sem limite ao pensar em mim? Talvez ... tantos pronomes ditando o texto que vejo-me egocêntrica. Então, deveria eu ser quem querem que eu seja? Ou posso me ser um pouquinho?

Essa luta não é só de vocês, meus amigos. Esta luta é nossa.

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