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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Poderia ser eu, eu?

À esta alma impõe-se calmaria e destila-se sangue de vida vivida. Sejas como fores. Sejas como querem que seja, caso contrário viverás com a dor de ser diferente deles. Sejas assim. Caso sejas de outro jeito viverás com a dor de não ser ninguém (...) Alguém sem sorrisos, alguém sem perdão, alguém mesquinho. Irão julgar-te por tua pele; Irão julgar-te pelo teu cabelo; Irão julgar-te pelo teu corpo; Irão julgar-te pelo teu cabelo. Irão julgar-te por amar. Irão destilar veneno. Irão marte-te os sentimentos. Sejas alguém que querem que tu sejas. Alguém que não existe. E neste meio termo encolha-se em si senão te matarão! (...) E acabarão com tuas forças. Ah! Pai! Que angústia não podermos ser quem somos. Gritam teu nome por ódio. Repetem teu nome destilando raiva e veneno. 
O que eu faço ou farei, Pai?  Se afastam-nos de ti porque amamos diferente? Esta vida precisa ser vivida? 
Neste momento enclausuram-nos em nós mesmos. Se quisermos ser nós que contenhamos-nos com a dor da raiva e do ódio. Seria eu, então, um monstro qual precisa ser atacado o âmago dos sonhos e assassinado a esperança do sonho? Seria eu alguém deplorável e lastimável? Poderia ser eu, eu?

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