Quando as estrelas tomarem conta do meu céu esta noite, vou chorar.
Vou chorar meu choro manso e gritar baixinho para que ninguém ouça.
Eu me recolherei com meu papel e minha caneta, e as montanhas farão eco
Em minha voz úmida e cansada.
A silhueta dos meus pensamentos desenharão as medos que ecoam dentro de minha alma.
É forte.
Recostarei minha face na pálida estrutura do vento.
Esperarei minhas mãos trêmulas desenharem e contornarem o estranho da noite,
O aveludado véu da escuridão.
Nos silenciosos gemidos que eclodirão nas iluminadas cadeias
E espaços mortíferos que evidenciam cada pedaço da minha carne.
Eu então me vi só
Como se apenas existisse minha pele e meus gemidos,
Minhas dolorosas opiniões e minha solidão.
Quando a última folha seca do orvalho cair poderei perceber minha vida caminhando
Com minha morte.
Quando o grito percorrer meu interior e meus olhos enxergarem a sujeira que o vento leva,
Poderei perceber minhas mãos firmes penetrando na noite,
Debaixo da luz estonteante da lua.
Perceberei minhas lágrimas entusiasdamente fugaz,
E ao ouvir os berros dos lobos da montanha,
Permitirei meu corpo descansar na terra que a qualquer momento
Pode engolir minhas verdades,
Meu sofrimento e minha melancolia.
O que seria de mim se não houvesse o vento para bagunçar minha eternidade
E lançar ao mundo os soluços de lamento que se perderiam em meu túmulo
E no percurso do meu último suspiro.
Sento e observo o meu próprio destino,
Para que eu possa então vivenciar a escuridão da medonha treva.
E então colocar em um papel a aflição de viver e presenciar a morte dos meus olhos,
da minha alma
e da minha carne.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
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