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quinta-feira, 29 de março de 2012

Imploro.

Acordei sem direção,
A janela minhas mãos tocaram e
De joelhos implorei a sua vinda,
Nos meus olhos emaranhados por perdão.
O sol virou lua sem maldade
Na manhã anoitecida de outono
Sem inverno ou verão ou primavera
As folhas decaíram aos meus pés
Trazendo o adeus ao frio vento lamentado
Vejo-me na rua sem roup ou vergonha
Vestida de medo afogada á luz da lua
Da janela vejo minha alma
tão nua quanto meus olhos,
afogados.
Veja! Não encontro mais o sopro;
O da vida e o da morte;
O do meio e o do fim.
Sinto em meu sangue o valor do anoitecer, e
no frio da ventania entro em choque,
Ilusionada.
Vejo meus pés decaídos de frente a ti e,
de joelhos ao frio chão
Implorando a sua vinda, a sua vida,
Implorando o teu perdão.

2 comentários:

  1. Como já te disse,

    Olha como "imploro" dialoga com o meu "Nua"

    Nua

    Tua pele
    branca
    como a
    lua

    suspendeu
    meu corpo

    suspendeu
    minha vida

    Agora
    minha alma
    flutua

    errante
    sem rumo
    sem proa

    noite adentro

    nua

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  2. Acho seu poema suave e impactante. Como a lua dialoga com nosso mais íntimo não é?

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