Me perdoe. Ultimamente ando sendo uma confidente da pior espécie. Nos piores momentos eu estive aqui, chorando dores de grandes amores. Nos melhores momentos eu estive aqui, emocionada com cada letrinhas que escrevia. Agora, livros de rostos acabam com o que eu sempre tive. Só quero saber de escrever para verem lá. Quando não, escrevo em você e me mostro com o copio e colo lá. Esta noite, antes de dormir, estive com a cabeça quente. Meu coração transbordava dor, solidão e perda. Eu queria te procurar, mas tive preguiça. Que tipo de confidente sou? Ainda, escrevi para te lerem. Mas meu diário, lembro-me que não é assim. Eu lhe fiz para mostrara a quem viesse aqui e eram poucos. Hoje, você é lido por mais pessoas.Eu até fico feliz em saber que gostam do que você me faz escrever. Mas sabe, querido diário, você é tão meu que te chamo de filho. Me sinto uma mãe horrível ao ver que faço isso com você. Me dá uma vontade imensa de chorar e não parar mais. Te tenho como parte de mim, como se todas as palavras que lhe dou permanecessem dentro de um "mim" tão intenso que nem eu mesma consigo conhecer sozinha. Uma parte de mim misturado em todos os pedaços de mim. Agora, não só mais um. Minha grande parte de mim. As vezes, fico meio louca. Diga-me, sei que me conhece mais do que me conheço. O mundo é grande demais pra mim. A vida é chata demais em mim. Querido diário filho, peço-lhe perdão pelas vezes que tanto sorri e deixei-te de lado. É que quando preciso saber de mim o que não sei, você é o melhor nesse assunto. Eu posso voar, ser anjo branco, anjo negro e a própria solidão desenhada de vida. A própria lágrima travestida de sorriso.
Querido diário, perdoe-me esses meus momentos felizes que te deixo para trás. Meus momentos de sofrimento são todos seus, por isso, obrigada por saber mais de mim do que eu.

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