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terça-feira, 6 de julho de 2010

Eu escrevo

Quandos as linhas imaginárias da emoção tocaram a minha pele, me guiando e me matando, eu acordei. Nas mais sensatas cascatas da minha mente, onde a água do saber transbordava dentro de mim, eu consegui morrer mais uma vez diante das minhas palavras, que inundaram tudo o que estava em minha volta, me fazendo tentar viver, novamente. As lágrimas são piores, mas talvez o frio cortante seja a amedrontante fase que minha alma teria que passar. Na loucura transparecente, eu consegui entregar as minhas dúvidas e as minha vitórias, pois me peguei em meu mundo de loucura, onde a solidão esquenta as raízes eternas que se formam dentro do meu coração. E o passar do tempo que consome os meus gemidos de libertação, cortam minha carne, me tirando, me guiando das paredes da minha emoção. Nas mais belas poesias eu consegui arremessar meus piores pesadelos, consegui gritar e pedir socorro em linhas tortas, inusitadas e amedrontantes. As sinuetas tocaram, e o frio gelou meus pés, quando eu não consegui caminhar até o poço onde tentei afogar-me. Escrevi em linhas tortas para que se espelhassem em minha vida, mas minhas letras caíram como em uma orquestra sem ritmo, onde meus dedos exaltaram cada minuciosa palavra, e meus ouvidos contemplaram o sussurro do vento , que gemia .. que falava .. que chorava a mim. E então, ao deitar-me, continuei-me escrevendo, para que o sono conseguisse me alcançar e os pesadelos reais desaparecerem.

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