sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Minhas asas.
Olhando pela janela, tendo a fixar os pés num chão qualquer. Minhas mãos percorrem os invólucros maciços que envolvem meus olhos. Queria mesmo poder voar - penso, repenso - Queria é cortar o vento e chegar a um outro lado. - Lado de que? Do que eu sou ou do que imagino ser? - Quem sabe não encontro um paraíso inexistente dentro de uma grandeza que existe? Se eu tivesse asas. AH! Se eu tivesse asas. Juro que não teria medo de ser livre de mim. A sacada da janela salva o corpo da matéria encoberta pelo espaço e pelo tempo. E a onda ousada do vento dissipa-me entre as correntes das névoas. Contudo, se eu tivesse asas seria diferente. Ou não. Não sei, ou sei? Quem sabe não tivesse medo de tê-las, ou medo do medo em tê-las. Ou quem sabe medo em descobri-las? O grande problema é o de que, sou tão impulsiva a ponto de pular sem asas. Ia é tentar traçar o mundo, ou morrer tentanto. Encarar um universo de corpo, alma, lágrimas e suor. Mas o chão prende meus pés. Como minha pulsação nervosa impede que meu corpo se jogue na amplidão do tempo. Como a noite meus olhos a acompanharem o fim e o recomeço. O começo e o fim. Mas e as asas? Para que me serviam? Para dar a coragem de libertar-me? Ou para libertar um eu nada libertador?
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