sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Palavras.
Posso desenhar as minhas palavras como desenhos mortos e abstratos pintados ao chão. Como o braçar das águias ao longo do verão. E num abraço de qualquer vento me desmanchar de gratidão. Posso escrever sem se quer pensar, imaginar, e me transgredir. Tornar-me pura, sublime, criança. Tornar-me lágrimas de paixão. Coração. Num meio e volta, a volta em um mundo sem perdão. Eu posso ser, voar, imaginar, viver sem medo. Num choro dividido, não mais o existir. Para que servem estas palavras? Para viver-me ou ver-me partir? Querida, grande menina, pequena criança. Em meu coração está a magia de um luar morto. Um luar escurecido envolto de poderes mágicos. Como as linhas das palavras misturadas jogadas ao chão. Peço-me um favor. Um grande salto dentro de mim, para que estas palavras que me cabem sirvam para que me façam existir. Mas o quê? Não sei ao menos o que descobrir, o que eu sou, de onde eu vim. Só quero, aqui, neste mundo, imaginar e sonhar, para então ver-me partir.
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