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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Corpo.

Minhas mãos tão trêmulas. Consegue segurá-las? Mãos tão fracas. Mãos medrosas, pálidas, cruéis. Dependente do desejo, da droga, do espelho, do nunca. Mãos vazias, entrelaçadas, criadas, escravas. Pode vê-las? Não pertencem mais a mim. E meus olhos? Vês? Não vejo absolutamente nada. Vejo apenas meus gritos, não ouço. Grito sem voz, sem ar, sem sopro. Entre meio e fim, entre vida e morte, entre luz e escuro, me permiti viver sozinha. Queres rir? Todos podem rir! E agora, restou dor, apenas. Não posso enganá-la, nem enganar a mim. Não posso lhe ver. Tomo lágrimas, bebo tanto sangue. Sangue de mim e de meus pesadelos. Me alimento de silêncio, me alimento de angústia. Chuva, chuva, nada de sol. Nuvens pretas misturadas com o último vibrar de meus olhos. O vento me beija, me carrega, me leva para longe, num lugar onde eu não vou mais te encontrar. Por favor, deixe-me viver de ilusões, não quero a razão de que não terei mais você junto a mim. Não quero dizer Adeus, pois estaria dizendo Adeus a mim.

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