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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Diário.

Estou carregando minha saudade entre as páginas em branco do meu diário. Ferindo o papel de tinta preta e branca, rasgando, torturando a superfície que antes, tão clara eu achava em cima de mim. Caíram chuva. Caíram lágrimas. Caíram sangue. Feri o papel com o sopro de palavras, com cada espírito desalinhado que a saudade traz para dentro. Dentro do que antes, era eu. Carrego em minhas roupas o teu perfume, entre pequenos pedaços de crueldade, entrego a mim ao suave veneno que tomo, a suave transparência da ferida. Levo a saudade entre minhas mãos e escrevo em cada passagem teu retorno com o que restou da tinta do meu sangue. É verdade, sou uma mentira entre esse vômito de palavras exageradas e simples. Guardei em minha gaveta a esperança que imaginavelmente surgia entre minha consciência, para levar a saudade em meu corpo, a lembrança da alma que circulava ao meu lado. Levo o olhar da lua entre meus punhos, entre cada facada que fere, corta e mastiga. Carrego você no diário da minha vida.

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