Estou me sentindo muito mal. Não sei bem explicar, mas é mal comigo mesma. Hoje, depois de fazer uma prova daquelas com resposta de 4 folhas, cheguei em casa cansada. Pesquisei algumas coisas aqui e fiquei com vergonha de seguir o blog de algumas pessoas. Vergonha? Estou me sentindo péssima. Odeio sentir vergonha. O pior, estou sentindo vergonha de mim.
Já fazem anos que eu não escondo o que eu sou, quem eu amo, o que eu acredito sobre o amor e todas essas coisas, mas percebi que as vezes é bem difícil isso tudo. Vejo que, infelizmente, ainda não estou completamente pronta para encarar o mundo. Encarar a vida. Eu estava me sentindo demais, achando que eu pudesse controlar todas essas ideias preconceituosas que rodam em torno de mim. Bom, pelo menos eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito forte.
Esses dias ao entrar no ônibus, o motorista dizia que essa "raça" tinha que sumir. Nossa! Eu queria falar alguma coisa, mas não tive coragem. Não posso tentar sozinha. Sou fraca! Agora mesmo, estou vendo que sou mais fraca ainda. Posso falar que já pensei em desistir. Já pensei até em fingir que sou diferente do que eu sou. Ora, sou mesmo diferente. Sou diferente do que imaginavam que eu fosse. Sou diferente até mesmo do que eu achava que eu fosse. Nossa, sou diferente de mim. Preferi viver em choque com a solidão, viver á margem da ilusão. Já preferi fechar os olhos para que eles não fossem capazes de ver a realidade. É uma realidade que não pertence a mim. E agora? Eu tenho vergonha disso tudo? Me sinto fora de tudo o que eu construí até hoje. Marginalizada. Sim! Pelo meu próprio ego, pela minha própria insegurança.
Nunca escondi que minha fé foi embora ... talvez por achar que não pudesse ser aceita. Na verdade, nunca fui. Talvez seja esse meu medo agora, não ser aceita. Preconceito comigo mesma, estou vendo que eu estou começando o pré-conceito, exatamente. Saber que posso não ser aceita por ser o que eu sou me tira de todos os planos e verdades que eu acreditei existir em mim. Estou sendo covarde como sempre fui. Pior, estou sendo covarde com a minha covardia. Já pedi a Deus para que eu fosse diferente do que eu sou hoje. Descobri que não posso deixar de ser, porque sou eu, se não fosse como sou, deixaria de ser eu. Que coisa estranha ... e eu ainda sinto vergonha de mim. Não posso nem admitir que não tenho fé - fé de fé, de acreditar, de adorar. Também tenho vergonha de não conseguir. Peço desculpas, eu queria, mas não consigo. NÃO! Eu queria muito conseguir rezar todas as noites pedindo a Deus perdão por tudo e força para seguir minha vida. Queria ir á igreja todos os domingos. Para falar a verdade, queria conseguir almoçar com a minha família como família, mas não me sinto parte daqui. Nem me sinto mais parte de mim. Que horror ... sinto vergonha de mim.
Hoje em dia estou sofrendo por amor. Todo mundo sabe disso, pelo menos os que convivem comigo. Eu bem que podia sair daqui e ir até a casa dela para pedir que volte comigo. Não chegou a hora ainda, eu tenho consciência disso. Podia até mesmo dizer que eu a amo como mulher, mas não tenho coragem. Estou vendo ainda mais que ando sem coragem de nada. NADA! Por isso que escrever me salva. As vezes sim, as vezes não. Eu queria mesmo escrever bem, como aqueles poetas e escritores. Talvez eu nem queira assim. Eles viveram tanto com a solidão, com a dor. Engraçado, eu vivo ultimamente mais com a solidão do que comigo, e mesmo assim, não consigo escrever como devia. Não sei colocar vírgulas no lugar, se separo sujeitos de predicado, se coloco acento errado ou se mesmo erro na ortografia. Isso, acreditem, é péssimo para alguém que faz graduação em Língua Portuguesa. Sinceramente, não quero me importar com isso, também sinto vergonha. Eu só queria escrever o que eu sou, mas escrever porque se também tenho vergonha? Escrevo o que eu sinto, apenas. Desde pequena, achei até um texto que eu fiz com 10 anos, ficou lindo, melhor do que os que eu escrevo aqui. Era puro, com erros enormes e grotescos, mas com um sentimento que eu queria ainda sentir. Eu não sentia vergonha de mim, do que eu era. Só sentia depois que eu fui perceber que eu era uma menina gordinha, nerd e cheia de espinhas na cara. Depois que eu descobri que achava as meninas bonitas demais, passei a ser diferente para mim. E hoje, depois de passar por tudo o que passei, sinto vergonha de mim. Novamente, vergonha! Como sou covarde.
Já disse que queria fé. Talvez eu mesma tenha preconceito de mim. Que estranho, eu que tanto me aceitei e com orgulho digo o que sou, agora não sei. Não sei se posso dizer, caminhar. Talvez seja a falta de alguém para seguir do meu lado. Talvez eu precise, seja fraca o suficiente. Precise não só da solidão. Talvez eu esteja rastejando entre minha vergonha. Esteja nua. Esteja morna, esteja em meio. Um meio que não seja eu inteira. Ainda estou com vergonha de mostrar meu blog. Talvez não seja só por eu ser diferente, mas por não escrever tão bem assim. Por ser sensível demais, falsa, mentirosa, frouxa, covarde, só. Talvez por eu odiar a mentira e ter vergonha de dizer a verdade. De sorrir e esconder meus olhos, de mostrar que eu sou tão fraca assim.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
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