terça-feira, 16 de outubro de 2012
Não volte.
Não vejo a lua faz tempo. Não sei o que aconteceu. Não sei se foi e eu fiquei. Talvez tenha ido embora novamente com a solidão. Queria contar-lhe que, podes ir, solidão; E me deixe a lua. Sem poderes lunáticas não há como sobreviver. Sem poderes ousados em brilhos que não posso nem, se quer, esconder. Queria eu, segurá-la em minhas mãos e deixar-te livre, solidão. Há momentos que te quero. Não, desculpe. Houve momentos em que te quis. Te quis como pedaço de mim, feito parte do que eu era. E agora, como consegue ser injusta. Vai embora e leva-me a lua. Tão minha (...) nem um pouco minha. Dois momentos, dois mundos distintos tão iguais. Momentos medrosos travestidos de ousadia, daqueles que eu sempre ditei. No reflexo do mar, vejo-te lua. Tão linda junto a solidão pavorosa que antes, tanto me apaixonava. Eu, tão carente, apaixonada por uma solidão ilusória. Eu, tão pedinte de gemidos, tão encantada com gritos melancólicos mentirosos. Ao mar, levei minha alma pura e culpada. Ao vento, lancei minhas preces amedrontadas. E a lua? Tão minha desafiando o céu. Brigando com estrelas de heróis em conjunto constelados. Sozinha, encontrei-a, solidão. Disfarçada de lua; Disfarçada de brilho; Disfarçada de medo. Gritei para que me abraçasse aquela noite, mas diga-me: Aonde estava? Aonde tão longe que onde não soube alcançar. E num sonho tão sonhado de todas as noites, nada de lua mais encontro. Nem neste céu; Nem no teu céu, solidão. E agora? Se você soubesse o quanto tenho pavor em lhe ter de novo (...) Se você soubesse que preciso da sua lua para fechar meus olhos. Preciso de sua lua para fazer amor e para me afagar em sentimentos. Mas, porque, solidão?! Espero que não insista em me pegar novamente pelas mãos. Na tua noite escura, espero que traga-me tua lua. Senão, espere para ouvir meus gritos lunáticos. Espere. Espero que não volte. Pois esta noite vou procurar a lua. Se eu a encontrar, farei um pedido. Se não, entrarei em meu desespero incomum.
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