segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Noite mal dormida.
Não sei ao certo o que acontece essa noite. Tentei, juro. O silêncio ecoa e meus dedos procuram um lápis, um papel. Queria fechar meus olhos e não consegui. As palavras computadorizadas deram lugar ao lápis quente e ao papel branco que já nem sei aonde estão. Queria um café; Por hoje não. Ou quem sabe uma dose de Vodka misturado com pedaços de vírgulas que despencam de minhas linhas agora, não mais tortas. Máquinas canalizando desejos que antes caíam entre as linhas azuis que a ponta falha do meu lápis encontrava. Rabiscos e borrachas sujando o papel, mostrando como uma vida consegue ser tão duvidosa. Eu, esta noite, até queria dormir. Porém, a noite me é envolvente e me carrega entre seus poderes transbordados de luzes foscas. E, logo agora, com dedos frenéticos olho para o céu e descanso em um mar que nem sei ao certo onde nasce ou morre ou deságua ou desaparece. Mas a lua, assustadoramente está ali, olhando para meus olhos que sorriem e choram. Diante de uma alegria tão inusitada, meus olhos lacrimejam com saudade do que nunca tive e nem se quer terei. Meu travesseiro me dá afago nessas noites sem o corpo de minha mulher. Mas nessa noite onde meu travesseiro não corrompe a minha solidão, chamo a lua. Sim, você, lua. Posso chamá-la de você? O céu está negro e te vejo tão só. Tão chamada solidão acompanhante de minha noite negra como o seu céu. Não sei como te chamar, lua. Tenho tanto ciúme de ti. Não sei o porquê. Contudo, me deixe te chamar de minha aqui entre nós. Sem sol, sem chuva, sem vento e sem medos. Sem gritos e gemidos. Sem suor e sem sexo. Chamar-lhe-ei de tudo, ainda mais de minha. Queria alcançá-la, não sei, algum dia. Alguma única vez e compartilhar de minha solidão que és tua solidão e que juntas formam uma apenas solidão. Uma solidão que contigo e comigo se despertaria em companhias abstratas. Sem nome, me jogo em teus braços invisíveis e moro em tua luz indivisível. Como és linda! Queria dormir essa noite, amanhã o dia será longo e estarei sozinha. Acho que é a palavra que meu coração mais sente medo. Sozinha! Um só que transforma em palavras vários monstros modelos que fazem parte de minha estrada. Sozinha que me faz dizer Adeus aos momentos que todo ser precisa para se sentir bem. E você acha isso errado, Lua? Desculpa chamá-la de lua. Agora será Lua, minha Dona Lua lunática. Sinto a sua falta nessas noites de primavera calorosos. Sinto a sua falta em noites mal dormidas e solitárias como essa. Se pudesse chegar até você (...) Se bem que, não aceitaria te ver tão de perto e tão fria. Tão fria e apagada de luz. Mas será que estão no lugar certo? As vezes não consigo acreditar no que vejo nessas televisões devoradoras de mentes. Te vejo fria, longe, apagada, sem brilho. Mas não, minha Lua. Não deixarei que roubem a sua incrível verdade. Não deixarei que a queime diante de mim. Sou tua serva e tua amante, se me permitires. Junto de minha menina terrestre, declaro meu amor ao som do teu sorriso. Junto de minha mulher que me tira de tua solidão, te devoro por inteira depois de noites de amor. Te pego e te faço minha escudeira. Deixo nessa noite mal dormida a lembrança de tua cara essência. Uma essência de alma de coisas que ninguém ainda descobriu. E nem quero (...) as vezes descobrem coisas que não eram para serem descobertas. Assim, regredimos e deixamos nossa humanidade para trás. E aqui, não quero nada disso. Quero oferece-lhe minha tremenda gratidão e meus votos de sinceridade, pois se um dia chegares aqui na terra de corpo e alma, quero que me leve contigo.
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