terça-feira, 10 de maio de 2011
Meus dias (...)
Eu tento engolir meu choro. Minhas lágrimas podem ter cheiro e gosto de sangue. Eu tento respirar normalmente. Tento, mas apenas suspiro. Eu tento apenas sorrir. Eu não consigo. Tento descansar, mas apenas durmo. Tento sonhar, mas os pesadelos atraem meus medos. Não sei pensar em um futuro sem o medo de perder-te. Não sei viver só de presente. Não me apego mais ao passado. Tento matá-los. Tento lutar contra eles. Tento cortá-los. Tento diminuí-los. Não consigo acabar com os monstros do ciúme. Não consigo enfrentar os fantasmas dos meus medos. Quero lutar contra o mundo! Sei lutar contra o mundo. Não sei lutar contra mim. Quero gritar, mas não consigo. Quero pegar tua mão e avisar que lhe amo, mas não podemos. O mundo nada pode contra meu amor. Meu amor tudo pode contra o mundo. Mas meu medo tudo pode contra minhas certezas.Não há dúvida quanto esse amor. Nem contra o medo. Não há dúvidas quanto o que quero ser. Não há dúvidas que ser diferente é o que vou ser até não mais existir. Diferente do mundo. Diferente do normal. Do convencional. Não há dúvidas. Há certezas. Há medo. Há muito medo. Vou pedir-lhe para segurar a minha mão? Pedir-lhe para não ter dúvidas num amanhã qualquer? Vou pedir para deixar de viver sentimentos que não posso controlar? Vou apenas pedir para me amar. Como agora. Como hoje. Engolir meus medos. Tapear minha insegurança. Esta noite. Pelo resto das noites. Dos meus dias.
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