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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Discretamente

As pérolas da escuridão enlaçaram meus olhos com estrema lucidez.
Quando a bruma das ondas do mar alcançaram minhas vestes diante do luar
O beijo das brilhantes pérolas da lua com as ondas do mar tomaram minha mão.
Então eu encontrei meu corpo deitado nos pequenos pedaços cristalinos de areia brilhante
Irrigados com o irrigar das luzes que as estrelas me confidenciavam
Chorei apertado e discretamente.
O vento acariciou e despenteou meus cabelos inertes ao gelado frio que me consumira
Apalpou meu rosto e minhas lágrimas até caírem e formarem pedaços cristalizados da minha alma
Sorri para a lua. Discretamente.
Meus olhos vagaram na tenebrosa escuridão da natureza
Encontraram as vestes da minha carne silenciada ao encontrar a morte.
Meu corpo se deparou com o teatro da ilusão
Desconcentrou a memória que havia lhe puxado ao fundo do abismo
Achei o horizonte ao achar minha própria carne despedaçada e caída sobre a lua
Reconheci a montanha. E gritei. Discretamente
Os ventos ecoaram meu desespero
Transmitiram meus medos, até as ondas me puxarem
A lua tornou a beijar suas águas, e a dor menos intensa
Fechei meus olhos descontrolados e vazios
E então,encontrei a morte. Discretamente.

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