terça-feira, 25 de maio de 2010
E eu me vi perdida, novamente.
Fechei os olhos esta noite para que talvez eu pudesse perceber a escuridão ao longe de minha carne que desmorona ao chão. Olhei ao espelho dentro de mim e só consegui permitir que minha alma se transformasse em pedaços inertes do meu ser. Ah solidão. Eu preciso tanto de você. Agora só existe nós duas e o mundo paralisado diante de meus olhos. A lua já não brilha, e o vento leva os pedaços de mim para longe da terra dos homens. E então eu parei de sorrir. Mas eu parei de sorrir pelo simples fato de não conseguir agüentar a pressão de ter que sorrir todos os dias. Talvez não tenham percebido, mas não há como sorrir todos os dias, não há como fazer com que meus olhos transmitem algo que é completamente irreal. Eu queria poder fazer com que olhasse dentro do meu olhar, queria poder fazer com que meu coração parasse de bater pelo menos um momento e assim, talvez percebessem o quanto dói, o quanto tudo não passa de mentira. Eu sou uma mentira. Talvez se minhas lágrimas pudessem cair e disfarçar o sorriso que não nasce, notasse. Mas eu gosto do silêncio que se forma diante de mim, eu gosto de poder ter a simples companhia de mim mesmo, da minha própria solidão. Não sei porque as vezes dá tanto medo. Eu sei que existe apenas eu e ela, encontrando o vazio transparente diante de minha alma. Eu conheci a morte de perto. A morte da minha solidão que as poucos foi me deixando, mas que com o grito de desespero voltou a tomar conta de mim. Acredito que algum dia eu possa conseguir passar a verdade, para você, e para mim. Há coisas dentro de mim que quando eu descobrir posso deixar transparecer. Não há mais lua, não há mais céu nem terra, restou eu, e eu. Restou os gritos apavorados que contornaram as montanhas inertes e escuras que detêm meu olhar. Pois a correnteza bateu nas pedras da minha solidão, deixando a ilusão, apenas a ilusão por esta madrugada. Eu peço a mim mesma para que tenha coragem de tentar ser, ou apenas ser. Talvez eu consiga passar pelo mar tenebroso que arranca meus suspiros, e pelo vento gelado que mata minha carne, e despedaça minhas verdades que são jogadas ao horizonte da minha vida.
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