Estou
meio viciada nessa mania de escrever. Na verdade, sempre estive. Por fim, não
mais consigo escrever sobre nada. Nem mesmo sobre mim. Só sei dizer que nada
sou, que nada sei, que nada faço. Pareço até um pequeno pedaço de letra de
música fincada no papel. Aquelas em que eu crio e ouço sozinha, em algum tipo de quarto escuro. Ora, quantas vezes me disse tantas coisas completamente
loucas. Paixões incríveis, dúvidas cruéis, desesperos insuportáveis. Falar
sobre a vida me é sustentável. Falar sobre a morte me é prioritário. Tudo de
vida sei, nada de morte saberei. Num jogo singelo de palavras que se trocam por
verbos infundados e fundamentados nessas opiniões que tenho sobre mim. Uma
maneira de salvar-me, quem sabe. Tanto falo – ou ao menos falava – de um amor
cravado na solidão e de uma morte fundamentada na vida e que, por fim, novamente,
estou aqui, sem saber o que sentir ou mesmo dizer. Dar-me-ei aquela vontade
insuportável de gritar. Sim, darei a mim um pedaço do que eu sou que anda
distante. Ô, e como anda distante. Nada de espelhos fantasiados de verdades
mentirosas. Pelo menos esta tarde. Nada de espelhos quebrados, noites
enluaradas ou manhãs ensolaradas. Na verdade, não gosto da manhã. Gosto de
manhas, de vontades, de exageros. Desculpe-me, minha bela solidão. Tenho que
dizer que ultimamente não estou precisando de ti. É claro que não lhe darei a
ninguém. Não que eu esteja com ciúmes ou com vontades mórbidas de trazer-lhe
para mim, mas sabe, sinto sua falta as vezes. É uma lastimável pena. Acho que
estou no caminho errado. Tanta coisa para pôr no lugar certo. Esse negócio de
estudar a alma humana está acabando comigo. Tenho vontade de desistir. Não, não
quero mais fazer parte de um lugar que não me sinto a vontade nem para ser quem
eu sou. Olha lá, como eu, pequena criança no meio do mundo, darei conta de dar
conta da alma de outra pessoa que não seja a minha
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Vida morte.
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