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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Vida morte.



Estou meio viciada nessa mania de escrever. Na verdade, sempre estive. Por fim, não mais consigo escrever sobre nada. Nem mesmo sobre mim. Só sei dizer que nada sou, que nada sei, que nada faço. Pareço até um pequeno pedaço de letra de música fincada no papel. Aquelas em que eu crio e ouço sozinha, em algum tipo de quarto escuro. Ora, quantas vezes me disse tantas coisas completamente loucas. Paixões incríveis, dúvidas cruéis, desesperos insuportáveis. Falar sobre a vida me é sustentável. Falar sobre a morte me é prioritário. Tudo de vida sei, nada de morte saberei. Num jogo singelo de palavras que se trocam por verbos infundados e fundamentados nessas opiniões que tenho sobre mim. Uma maneira de salvar-me, quem sabe. Tanto falo – ou ao menos falava – de um amor cravado na solidão e de uma morte fundamentada na vida e que, por fim, novamente, estou aqui, sem saber o que sentir ou mesmo dizer. Dar-me-ei aquela vontade insuportável de gritar. Sim, darei a mim um pedaço do que eu sou que anda distante. Ô, e como anda distante. Nada de espelhos fantasiados de verdades mentirosas. Pelo menos esta tarde. Nada de espelhos quebrados, noites enluaradas ou manhãs ensolaradas. Na verdade, não gosto da manhã. Gosto de manhas, de vontades, de exageros. Desculpe-me, minha bela solidão. Tenho que dizer que ultimamente não estou precisando de ti. É claro que não lhe darei a ninguém. Não que eu esteja com ciúmes ou com vontades mórbidas de trazer-lhe para mim, mas sabe, sinto sua falta as vezes. É uma lastimável pena. Acho que estou no caminho errado. Tanta coisa para pôr no lugar certo. Esse negócio de estudar a alma humana está acabando comigo. Tenho vontade de desistir. Não, não quero mais fazer parte de um lugar que não me sinto a vontade nem para ser quem eu sou. Olha lá, como eu, pequena criança no meio do mundo, darei conta de dar conta da alma de outra pessoa que não seja a minha
. Eu mesma nem encontro-me dentro de minha alma, quanto mais encontrar a alma de alguém que está em apuros. Em apuros sempre estou se queres saber. Porém, só assim mesmo. Eu gostaria de estudar palavras sem sentido, palavras com sentido, palavras destruídas e palavras sobreviventes. Elas sobrevivem porque estão sobre a vida que me é eternizada. Esse negócio de destruída não me é muito feliz. Nada de palavras des-tru-í-das e congestionadas entre o ir e o vir de uma vida que não lhe é eterna. Opa! Acredito que sim, seja sim. Numa forma contraditória que eu vivo e insisto em dizer ... Nada de palavras destruídas nesse caso. A morte congruente a vida. A vida desesperadamente fugitiva da morte, encabulada de casulos próprios do eterno, faz-se adeus quando de longe olhas para as entrelinhas próprias do nunca. Ora, ora. Palavras sem sentido organizadas com nuvens passageiras do perdão. Sim, o perdão eloquente dos fins de tarde margeado pelas fumaças do Adeus. Assim, como se nunca voltasse ao lugar próprio da verdade. Tudo fundamentado na mentira do ser, travestido pelas verdades do sim. Um Adeus que nem Deus consegue ler ... Palavras me são eternas nessa alma que nem conheço mais.

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